quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Pé na estrada!

Tudo pronto! Malas fechadas, mochilas explodindo e o casal arrumadinho. Às 17h10 o trem com destino à trip desliza nos trilhos da estação de Candelária. Vamos de busão direto a Porto Alegre, onde descemos para passar o réveillon. Serão três horas de viagem. Amanhã é o tão esperado embarque. Frio na barriga pegando. Até!

Valparaíso

De bobeira na net, encontrei um vídeo bacana com imagens de Valparaíso. A cidade fica perto de Santiago, a 177 km. É a segunda parada da trip.

Moguinha na cozinha

Em duas horas e 15 minutos embarcamos para Porto Alegre. Moguinha está na cozinha preparando deliciosos pães de queijo. Vou encher a pança. Só falta fechar as mochilas. No mais, tudo em dia!

A necessaire

O nome soa um tanto quanto suspeito, mas é necessário uma necessaire na trip. É pelo bem da higiene – e do nariz – dos mochileiros. Eu carrego uma e a Mogui outra. O tamanho é proporcional ao gênero: masculino e feminino. Ambas são pretinhas. Antes de enchê-las, Morgana mostrou que o cabelo é apenas para enganar a torcida. Para ganhar espaço, tirou o shampoo de um pote grande e pingou no pequeno. Que loira esperta!

Na minha necessaire levo o kit de sobrevivência do homem, nesta ordem: escova e pasta de dente, desodorante, sabonete, shampoo, condicionador, creme de pentear, perfume, gilete, remédios e manteiga de cacau. A da Mogui quase explode. Gilete, sabonete, dois protetores de sol, manteiga de cacau, hidratante, gel para o corpo, perfume, remédios, esmalte, cortador de unha, lixa para unha, creme para as mãos, condicionador e dois shampoos - um para cada dia. Como homem, questionei o uso de dois shampoos. É espaço dobrado! E a resposta? “Eu penso na saúde do meu cabelo.” Bom, de madeixas saudáveis, Moguinha encara a viagem.

Raio-x

Pra quem duvida que mulher ocupa muito mais espaço, aqui vai o raio-x das nossas malas. A vermelha é a minha e a preta a da Mogui. Tire a sua própria conclusão.

>> Mala Mazui
2 jeans
1 bermuda
2 calções
9 camisetas
1 blusão
2 casacos (1 da Mogui)
1 canguru
7 cuecas
6 meias
4 toalhas (2 da Mogui)
2 fronhas
1 All Satr
>> Mala Mogui
1 jeans
1 bermuda
2 shorts
7 blusinhas
2 blusas compridas
3 vestidos
2 bíquinis
1 pijama
1 All Star
11 calcinhas
3 sutiãs
6 meias
1 sapato
3 regatas
1 secador de cabelo
1 chapinha
1 carregador de celulcar
1 ferro de passar
1 guarda-chuva

Welcome to the jungle

Fechar as malas. Serviço desgraçado. Um dos piores do pré-viagem. É preciso checar tudo, refazer os cálculos de camisetas, cuecas, meias, bermudas. Até o cadeado ser posto na mala, qualquer mudança é valida. Apesar de lacradas com antecedência, a pulga que coça atrás da orelha teima em deixar o mochileiro inquieto, com medo de ter esquecido algo. Fechar as malas é um trabalho desgastante. Resolvemos dar um fim na encrenca ontem à noite, antes de dormir. O primeiro passo foi atirar tudo em cima da cama. O relógio marcava 22h32. A foto acima mostra direitinho o que nos esperava.

Pois bem, às 22h32 abrimos a mala vermelha, a minha que é da Mogui. Explico. A proprietária legal é a Morgana, melhor, a dona Magda, mãe da Moguinha, que pagou a mala. No entanto, o usuário sou eu. Portanto, ao menos na trip, é a minha mala. O espaço de cima fica forradinho com sete cuecas e seis pares de meias. No fundo, lanço duas fronhas e, em seguida, minhas roupas. Dois jeans, uma bermuda, um blusão, um canguru, dois calções e nove camisetas. Ainda entram um casaco da Mogui, quatro toalhas e meu All Star. Finito. Serviço concluído às 22h57.

O segundo passo foi a mala preta, a da Mogui. Vale lembrar que nossas malas têm rodinhas e cabo para puxar. São leves e práticas. Morgana Rohde separa mais coisas. Às 22h59 deposita duas blusas compridas. Depois, adentra às 23 horas com três vestidos, dois biquínis, sete blusinhas, dois shorts, três regatas, uma bermuda, um jeans, um pijama, um All Star, um sapato, um guarda-chuva, um ferro de passar, uma chapinha, um secador de cabelo, um carregador de celular, três sutiãs, 11 calcinhas e seis pares de meias. Ufa!!! Mulheres dão muito mais trabalho. Matamos a cobra às 23h25.

24 horas

Sou quase um Jack Bauer. Tenho 24 horas para finalizar os preparativos da trip mais casca grossa do quarteirão. Rever os documentos, suprimentos de bóia e dinheiro, contar as roupas, analisar melhor o roteiro. Ufa! Hoje é 31 de dezembro, último dia do ano e véspera do mochilão tudo pode acontecer. As malas foram fechadas ontem. Faltam as mochilas. Moguinha foi pintar o cabelo, pois quer viajar na ponta dos cascos. Hoje, às 17 horas, embarcamos rumo a Porto Alegre. Passaremos a virada solitários no apartamento de um amigo. Mogui já deixou a lentilha pronta. O espumante está gelando. Pra galera ir se divertindo, mando esse vídeo por Santiago, primeira parada da trip. As imagens são toscas, mas mostram um pouco do que veremos na capital do Chile. Que venha 2009!

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Queridos companheiros


A trip será um teste à paciência. De Candelária a Porto Alegre serão três horas no busão. Tranqüilo. É só um aquecimento. A maratona acontece mesmo na quinta. Às 7 horas embarcamos na rodoviária de Porto rumo a Santiago do Chile. Serão intermináveis 36 horas de viagem, cruzando o Rio Grande do Sul e a Argentina. Fora essa travessia homérica, haverá mais deslocamentos longos. De Mendoza a Buenos Aires consome-se cerca de 12 horas, por exemplo. Para suportar tanto tempo sacudindo dentro do busão, haja conversa, palavra cruzada, jogo da velha, contagem de carneirinho e... leitura!

Levo três títulos na mala, dois de bolso. Pockets são práticos pelo tamanho e preço. Abro a sessão leitura com Ereções, Ejaculaçoes, e Exibicionismos, volume 2 do Fabulário Geral do Delírio Cotidiano (o volume 1 se chama Crônica de um amor louco), do americano Charles Bukowski. O livro foi presente de amigo-secreto. São crônicas com narrativas malucas, sem apego à pontuação. A linguagem tem não é recomendada para menores de 18 anos.

No próximo posto da fila figura A América aos nossos pés - 25 anos de uma Libertadores de verdade, de Eduardo e Fernando Bueno. Em ano com o Grêmio tentando libertar a América pela terceira vez e de um casal gremistas excursionando por países vizinhos, o pocket serve de inspiração. As botinadas de De León serão lembradas no Uruguai, sua terra e casa do Peñarol, adversário batido na final de 1983. Na semifinal teve o Estudiantes, em La Plata. Irei a Buenos Aires, mas é quase ali. E do Chile pode vir o oponente da estréia em 2009 - Universidad do Chile ou México 3.

Por fim, se der tempo, está quietinho na mochila Laowai - histórias de uma repórter brasileira na China, de Sônia Bridi. O livro traz a experiência da jornalista como correspondente internacional da Rede Globo. Ao todo, tenho 796 páginas para devorar até 18 de janeiro. Boas companhias.

Na Pacata Candelária

Na real, minha viagem começou hoje. Tá certo que o roteiro é doméstico demais, porém já não estou mais em casa. Às 11h50 deixei o lar, na Rua Chácara das Freiras, em Santa Cruz. Mochila recheada nas costas, livro na mão esquerda e sacolinha na direita. De chinelo, andei oito quadras até a parada de ônibus, no Centro. O urbano chegou às 12h26 e atracou na rodoviária às 12h35. Perdi o busão rumo à Pacata Candelária por questão de dois minutos. Vi o carro dando as costas e ganhando a BR. Mandei ver num enroladinho de salsicha, li um pouquinho e esperei até as 13h15. No busão certo me mandei para Candi City. Apareci na casa dos Rohde às 14h15. Consumi a tarde ao lado da Moguinha, em compras no mercado e farmácia. A dois dias do embarque, o nervosismo já começa a pegar. Hoje à noite a gente lacra as malas.

A doleira

Na lista de itens de sobrevivência figura com destaque esse artefato de 30 centímetros de largura por 15 de altura. Nele reside parte da vida do mochileiro. É quase tão importante quanto a mochila. A doleira ou porta-dólar carrega a plata, o money, o dinheiro da viagem. Mais segura que a carteira, mais discreta que o bolso, o iten certo para quem se aventura por aí. O terceiro e último post sobre a grana homenageia esse saquinho com elástico.

A doleira é fundamental na trip por sua discrição. Com elástico ou alças ajustáveis, fica presa ao corpo do usuário. Tem gente que usa na cintura, entre a cueca e calça, bem camuflada. Outros preferem usar nas costas. O fato é que este artefato guarda documentos e dinheiro sem fazer alarde. Para a trip, eu uso a minha guerreira, que vai para sua segunda viagem. Ela é de algodão cru, tem zíper e elásticos. A da Moguinha é zero bala. Comprou em Candelária por R$ 22,00. É de tecido macio, tem zíper e alças são ajustáveis.

Na minha, carrego passaporte, carteira de identidade e motorista, dinheiro trocado (também distribuo algo nos bolsos, por segurança) e o Visa TravelMoney. De doleira na cintura encaro outro mochilão.

O câmbio

O segundo post da grana fala sobre a plata em papel, buscada na casa de câmbio. Apesar do Visa TravelMoney ser mais seguro, é pertinente sempre ter dinheiro em papel no bolso - ou na doleira, como veremos a seguir. Compras pequenas ou em locais que não aceitem Visa são efetuadas em cash. Também é útil para trazer artesanato e outras bugigangas da viagem.

Em Santa Cruz, fiz o câmio na Turbo Turismo. Além de agências de turismo, bancos realizam câmbio, sempre de olho nas cotações das moedas nas bolsas de valores. Isso vale para o comprador. É preciso avaliar a flutuação da moeda desejada para agarrá-la em um bom dia. Por exemplo. Na quarta-feira passada, dia 24 de dezembro, o dólar ficou perto do R$ 2,50. Na sexta caiu e fechou em R$ 2,35 para compra e R$ 2,50 para venda, preço da casa de câmbio. Na Turbo ganhei um desconto. Levei os dólares pelo preço de compra. Assim, transformei R$ 3 mil em US$ 1.270,00.

Para concluir a operaçao, você deve levar o dinheiro todo até a casa de câmbio e trocá-lo ali. É melhor fazer isso antes da viagem. Há casas em rodoviárias, aeroportos e centros comerciais nas cidades visitadas, porém os preços sempre extrapolam. Quem pode buscar dólar ou euro em Porto Alegre ou São Paulo encontra preços melhores do que no interior.

Outra opção para conseguir moedas estrangeiras é nos bancos. O Banco do Brasil, por exemplo, tem um serviço seguro para clientes. Você compra a moeda na agência e o valor convertido é retirado da sua conta automaticamente. É possível escolher entre ficar com dinheiro na conta ou retirá-lo na agência ou ainda usar travel cheques, uns cheques que são aceitos no exterior. Mais um detalhe. Além do dinheiro em papel e do cartão de débito é importante carregar um cartão de crédito, autorizado para transações internacionais. O mochileiro precavido vale por dois.

Seguro, rápido e discreto

Como lembrado no post anterior, sem dinheiro não há trip. A essência de alças fala em sobreviver com pouco, na base de caronas, passeios andando, fast food, porém em momento algum desmerece a importância da grana no mochilão. Nos próximos três posts dou dicas de como conseguir, distribuir e guardar o money com segurança. Começo pelo começo, com o perdão da redundância. Com vocês, o Visa TravelMoney

O Visa TravelMoney trata-se de um cartão de débito feito especialmente para viagens. Você cria um cadastro, ganha seu cartão com senha, registra um contra-senha, efetua o depósito mínimo de US$ 200,00, faz outro cadastrinho no site do Turistar (empresa que fornece o cartão) e está pronto para gastar. O cartão não possui anuidade, juros ou coisas parecidas. Só sai dinheiro dali se o saco da conta estiver cheio.

Outra vantagem é ficar livre das variações cambiais. O depósito é feito em reais no valor mínimo da moeda escolhida (euro, dólar, peso, guarani, etc) no dia da compra. Ponto final! Ah, se a grana terminar no meio da trip, o pai e a mãe podem realizar outro depósito (também de no mínimo 200 alguma coisa) e salvar o filhote em apuros. A Turistar ganha grana nos saques. A cada saque realizado em qualquer caixa eletrônico Visa é cobrado uma tarifa de 2,50 na moeda do cartão, que é aceito em 14 milhões de estabelecimentos comerciais e 1 milhão de caixas eletrônicos pelo mundo.

Além de tudo isso, o Visa TravelMoney vale pela segurança e discrição. Em caso de furto, basta contatar a Turistar e bloqueá-lo. É diferente de ter a grana no bolso e ser roubado. No cartão, sem a senha a grana fica quietinha, imóvel na conta. Só aconselho ao mochileiro anotar sempre os gastos e consultar o saldo no site do Turistar para controlar legal os gastos. Lembrando, a essência de alças do mochilão prega uma viagem legal e barata. Em Santa Cruz fiz meu Visa TravelMoney na Cariman, mas qualquer agência de turismo providencia o cartão. É bom avisar uns dias antes. É legal depositar os valores pela manhã, pois qualquer quantia enviada após às 15 horas só pinga na conta no próximo dia útil.

Pesados, só se for em dólar


Definitivamente, sem dinheiro não há viagem. Tudo custa. Da hospedagem ao chiclete, da passagem ao cartão-postal. Qualquer papel de bala consome centavos de alguma moeda cotada todo santo dia em bolsas de valores de todo o mundo. No Brasil usa-se o real (R$). No Chile é o peso chileno, desvalorizadíssimo em relação ao real - R$ 0,003 na venda e R$ 0,0045 na compra. No Uruguai vale o peso uruguaio (R$ 0,09 na compra e R$ 0,12 na venda), enquanto na Argentina vigora o peso argentino (R$ 0,65 na venda e R$ 0,80 na compra).

Como é fácil concluir, o real anda bem cotado entre os vizinhos da América. No entanto, a moeda quente, aceita nos três países da trip é o dólar (US$). Em qualquer botequim aceita-se dólares e cents. Washington e outros vultos norte-americanos são bem quistos em suas versões verdinhas. Para não ter problemas nas compras e pagamentos de serviços no Chile, Argentina e Uruguai o lance é trocar os reais por dólares ainda no Brasil. A cotação média tem variado entre R$ 2,45 e R$ 2,55 na venda. Ou seja, este é o preço praticado pelas operadoras de câmbio para os pobres mortais criarem reservas em dólares. A disparada da moeda americana nos últimos meses encareceu qualquer viagem ao exterior. Em agosto a cotação ficava na casa do R$ 1,68 por dólar. Paciência. Como o marujo fica à merce dos mares, o mochileiro é refém das bolsas de valores.

* As cotações são da Turistar, atualizadas às 16h30 de 29 de dezembro.

Mais dois dias

Terça-feira, 30 de dezembro. O penúltimo dia do ano começa cedo. Meus pais e meu irmão partem às 6 horas para Florianópolis. Minha família paterna é radicada na cidade. O reveillon é lá. Foi a última vez que vi o trio em 2008. Agora só em 2009, para ser mais preciso, em 17 ou 18 de janeiro. Hoje à tarde parto para a Pacata Candelária. A ansiedade já bate e tira o efeito do sono. A mochila está pronta, com espumante e salgadinhos. Carrego comigo a vontade de desbravar a América e o primeiro brinde de 2009.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

O abrigo

Os homens das cavernas ganharam este nome porque justamente se abrigavam em cavernas. Lógico. O abrigo é quase tão fundamental quanto a comida. Perde para o ar, claro, mas, como é comprovado, fez a diferença na evolução. Quando o homem conseguiu fixar residência, dominou a agricultura e de quebra abandonou a vida nômade junto com o telhado de estrelas. Aí começou a arrancada rumo aos prédios futuristas de Dubai. Para honrar sua importância na sobrevivência da espécie, o abrigo tem um post solo!

Em qualquer viagem a hospedagem é fundamental. Saber que há uma cama reservada te esperando, fofinha, de lençol branquinho, pronta para te acolher, garante um bom dia no mochilão. O sono é vital para recuperar a energia perdida em refeições meia-boca e caminhadas sem fim, dois pontos básicos da essência de alças. Por isso, já dizia o sábio: "mochilão sem albergue, não é mochilão". É como um Gre-Nal com o Inter de branco e o Grêmio de preto. O jogo sai, mas perde parte da graça.
Aconselho pelo bem da experiência e do bolso ao menos uma parada em um albergue. Os preços falam por si só. No caso dessa trip, enquanto os preços dos hotéis com serviço mais básico - cama, banheiro e café da manhã - batem no mínimo os uS$ 30,00, os albergues abrem suas portas em custos módicos que oscilam entre US$ 8,00 e US$ 20,00 na média. Tá certo que o quarto é coletivo, que o banheiro é comunitário e sempre há um descendente de viking com indisposição estomacal, mas também há vantagens. Todas na carteira.

A internet costuma ser free, a cozinha fica à disposição do mochileiro/goumert, no nosso caso a Moguinha, e a lavanderia é baratinha. Vale a pena reunir as meias, as cuecas e as camisetas sujas e dar um trato no albergue. Assim como vale a pena comprar comida no mercado e desafiar a culinária na cozinha do refeitório. Por essas e outras eu e Morgana optamos por arrancar a viagem em um albergue.

A busca começou em sites especializados no assunto. Sugiro o Booking e o HostelsClub. Outra opção são os Albergues da Juventude, que exigem carteira internacional de albergue. Só entram membros nos quartos. Em caso de outos albergues, os membros ganham descontos. Para buscar um pouso em Santiago optei pelo HostelsClub. Dá opções em diversos locais do mundo. O site tem versões em português, espanhol, inglês, francês e alemão. Ao abrir o portal você preenche logo o campo no canto esquerdo da página: país/cidade/data da chegada/número de noites/moeda. Coloquei Chile/Santiago/01-01-2009/2 noites/dólar e mandei ver. A imagem mostra o que apareceu.


Surgiram diversas opções de pouso, organizados na ordem de preço do menor para o maior. Entre as opções, fiquei entre as quatro primeiras: Plaza de Armas, Hostal Sammy, Hostal Florestal e Oveja Negra. O quarteto na média de US$ 12,00 o pernoite por cabeça. Como o preço batia de perto, fiquei atento à localização, que também pesa bastante na decisão. Não adianta o local ser barato e ficar na zona rural da cidade. O custo em deslocamento não compensa. Analisei a localização no mapinha que o site oferece e optei pelo Plaza de Armas.

Como o nome sugeri, fica na Plaza de Armas, na parte histórica de Santiago. A descrição garante que o local fica em frente à parada de ônibus e ao metro. É sempre bom desconfiar. Qualquer amigo que já andou pelo ponto que será visitado deve ser consultado. Resolvi apostar neste albergue. Segui preenchenco o cadastro, apanhei outra vez o Mastercard da mãe da Mogui e mandei bala na reserva. Você pede para verificar a disponibilidade, escolhe entre as opções de quatro, sete e 12 camas e seleciona a quantidade de leitos que vai precisar.

Confirmando, os preços já estão disponíveis. Para ficar no Plaza de Armas por duas noites - 2 e 3 de janeiro - pagaremos US$ 27,99 por dia, total de US$ 55,99. Disso se paga andiantado 10% do valor, taxa que não é reembolsável em caso de desistência. Também se quita a taxa de reserva, de 2 euros. O pagamento é no cartão de crédito e o restante se quita no momento do check-in. Na imagem abaixo está a reserva confirmada, que é enviada para o e-mail do solicitante. Em Santiago temos abrigo. Nas demais paradas ainda não. Veremos diretamente lá. Seja o que Deus quiser!

Compre a sua passagem

Depois de definir o destino do mochilão é preciso comprar a passagem - de ida ao menos. No caso dessa trip pelo Mercosul o bilhete premiado é só de ida mesmo. A volta será repleta de paradas estratégicas. Para dar um jeito de chegar a Santiago tive várias idéias, todas discutidas com a Mogui. A primeira - e mais prática, porém mais corrosiva no bolso - foi ir de avião. Espiei no site da TAM, Varig e Lan. O valor médio só da ida beirou os R$ 1.500,00. Assim, risquei a opção do caderninho das alternativas.

A segunda possibilidade era encontrar outros mochileiros de plantão dispostos a embarcar na aventura de carro. Detalhe, eles teriam que entrar com o desejo de desbravar o sul da América e mais quatro rodas, leia-se, teriam que emprestar o carro. Foram cinco convites para duplas diferentes e todos fracassaram. Seria o jeito mais econômico de viajar. Para matar os 5.200 km de ida e volta, entre quatro figuras num carro, o custo ficaria em R$ 271,00 de gasolina por cabeça. A conta é simples:

Distância / Km por litro do carro X preço do gas / número de passageiros = custo da brincadeira
5.200km / 12 X R$ 2,50 / 4 = R$ 271,00

Uma coisa é bom lembrar: se for uma caranga com motor a diesel o preço despenca. O mesmo vale para carros flex, que podem usar álcool. Como ficamos solitos, o jeito foi partir para a terceira e última opção: o busão. Nada de excursão, com guia e um monte de conhecidos. Aqui o lance é mais hard. Guilherme Mazui e Moguinha lado a lado na poltrona e mais ninguém. Cavoquei na internet alguns roteiros no site mochileiros.com e a dica era usar a Pluma. Amém.

Entrei no site da Pluma, o página carregou e logo cliquei na opção Compre aqui. É a terceria na barra de navegação. Ali você preenche o local de partida e o destino, junto com a data e vê a disponibilidade de horários e dias. Saída: Porto Alegre - Destino: Santiago / dia 1º de janeiro. Feito. Apareceu o horário, 7 da manhã; o trecho, que inicia em São Paulo e termina em Santiago após 36 horas de viagem; o valor, R$ 315,00. Junto, em azul, ficou o código do trecho, o 440. Cliquei ali e abriu as poltronas. Escolhi a 27 e a 28, como mostra a foto aí.

Confirmei tudo e peguei o cartão de crédito. Usamos o da mãe da Mogui, o Mastercard (tem coisas que realmente o dinheiro não paga). Para tirar a dúvida da compra bem efetuada, liguei para Pluma ((41) 3212-2626). A compra rolou na boa. Preciso estar meio hora antes do embarque na Rodoviária de Porto Alegre para retirar os bilhetes no guichê da empresa. Já era. Por R$ 315,00, R$ 630,00 o casal, foi garantida a ida. O ônibus sai às 7 da manhã de Porto, pára em Uruguaiana para banho e toca até Santiago. A chegada acontece às 7 da noite do dia 2. Rezem por nós.

Faltam três dias!

De boa, segunda-feira, hora dos últimos preparativos antes do embarque. O final de semana de ócio total e comilança ficou no baú quase lacrado de 2008. Agora é projetar as primeiras sílabas do livro em branco de 2009. De manhã, ao lado da Moguinha, encaminhei os últimos arremates nos dólares. Forrei a carteira. Mais tarde dou as dicas para fazer o cambio. Ela já deixou Santa Cruz de volta à Pacata Candelária. Amanhã me mando para lá e na quarta de tarde a gente ruma a Porto Alegre. A virada rola no apê de um amigo de nome Júlio Cesar. Pegamos um táxi pelas 6 horas do dia 1º, e às 7 colocamos os pés no bus da Pluma com destino a Santiago del Chile. Contagem regressiva!!!

domingo, 28 de dezembro de 2008

A inspiração na mochila

A idéia dessa trip nasceu em outra. Do finalzinho de dezembro de 2007 a janeiro de 2008 Guilherme Mazui e Moguinha, a mais destemida das namoradas, assolaram terras italianas, francesas, espanholas e portuguesas. Roma, Milão, Paris, Barcelona, Madrid, Porto, Lisboa, Pisa e Florença certamente não são mais as mesmas. As fotos aí provam que não somos mentirosos. Essa eurotrip, o primeiro vôo internacional de avião da dupla, despertou o espírito mochileiro do casal.

Jogar os itens básicos de sobrevivência na mochila, apertar as roupas e os presentes na mala e pegar o mundo atrás de uma nova cidade, desconhecida, misteriosa em cada esquisa, assustadora em cada beco e estação de metro é o mochilão. Também é não entender bulhufas do idioma local, arranhar um portunhol, inglês de escolinha ou mímica - esta sim, a liguagem universal - para poder comprar um copo d'água, conseguir pouso, chegar ao ponto certo. Olhar 550 vezes o mesmo mapa até descobrir que mapas se olham de cabeça para baixo, e aí, com sorte, começar a acertar os deslocamentos; rezar para encontrar um brasileiro solidário que esteja na mesma situação ou more no local e possa ajudar, quem sabe com informação, carona, comida ou só um poquinho de atenção mesmo também estão nessa essência de alças, fazendo peso nas costas.

O mochilão é adrenalina, é gol no minuto final em La Bombonera, é desafiar o desconhecido, os limites do dono da mochila. O mochileiro não liga para o cansaço: caminha 15 km, senta, toma um refri, levanta e anda mais 15 km. Ele quer conhecer, tem sede de conhecer. Cada ponto conquistado é uma vitória de virada na Libertadores. Por questão de geofrafia, sempre na casa do adversário. O mochilão é isso e mais um pouco. Tudo de mapa na mão, passagem de metro no bolso e McDonalds no estômago.

sábado, 27 de dezembro de 2008

As paragens

Em Portugal, pois, a parada de ônibus chama-se paragem de autocarros. Parafraseando os irmãos lusitanos, apresentamos as paragens dessa trip.


Santiago (CHI): fundada em 12 de fevereiro de 1541 pelo conquistador espanhol Pedro de Valdivia (antecedente distante daquele eia cabeludo, murrinha do Palmeiras), é o centro administrativo, industrial, financeiro e cultural do Chile. Capital do país, no pé da Cordilheira dos Andes, também é a capital da região metropolitana de Santiago, a Grande Santiago. Palácio da Moeda, Praça de Armas Bairro Florestal são bons locais.



Valparaíso (CHI): capital da província de Valparaíso, a cidade homônima nasceu a partir da sua baía, que recebeu os primeiros espanhóis em 1536. Em 1544 Valdívia - não o do Palmeiras, mas aquele de Santiago - batizou a localidade como porto naval de Santiago. Ela abriga o Congresso Nacional do Chile, uma casa que pertenceu ao poeta Pablo Neruda e sua área histórica é patromônio da humanidade. Valparaíso é banhada pelo Pacífico.



Mendoza (ARG): criada em 2 de março de 1561, fica do outro lado da cordilheira. É ligada a Santiago pelo túnel Caracoles. A cidade é conhecida por sua vinícolas - Caminos del vino - e pelas ruas arborizadas. É considerada o ponto mais digital da Argentina. O vinho Malbec é típico da região.



Buenos Aires (ARG): capital da argentina e da província que leva seu nome, nasceu em 3 de fevereiro de 1536, foi destruída e reconstruída em 11 de junho de 1580. É um dos principais centros econômicos e culturais da Amércia Latina. É a terra do tango de Carlos Gardel. Banhada pelo Rio da Prata, entre seus inúmeros pontos figuram o Teatro Colón, a Casa Rosada, Puerto Madero, El Caminito, La Recoleta, La Bombonera, Monumental de Nuñes e por aí vai.

Montevidéu (URU): Na outra margem do Prata, é capital do Uruguai e da província que leva seu nome. Os primeiros habitantes chegaram em 1724. É obrigatórivo visitar o centro histórico, a região do porto, a Praça da Independência e o Estádio Centenário. A cidade é casa de Peñarol e Nacional, tricampeões da América e do Mundo.


Colônia do Sacramento (URU): Criada por portugueses em 1679, foi motivo de inúmeras brigas e tratados. Madrid, Idelfonso, Badajós, para todos os nomes e gostos. Sua troca com os Sete Povos das Missões resultou na Guerra Guaranítica, no século 18. É um local histórico, com fortes e igrejas de época. Portão de Armas e Basílica do Santíssimo Sacramento são alguns dos pontos de visitação.


Punta del Leste (URU): criada em 1829, é umas das principais praias da América Latina. Balneários no Atlântico e no Rio da Prata chamam atenção, porém nem de perto rivalizam com o cassinos, prédios e carros de luxo que transitam pelas ruas. Sobreviver em Punta exige um saco de dinheiro.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

O roteiro

Definir um roteiro é algo básico em qualquer viagem, porém a conclusão exata dos pontos de paragem e talecoisa demora. A preguiça, velha e sorrateira, faz o mochileiro adiar o serviço. Chega em cima do laço e nada do roteiro figurar prontinho, lisinho, impresso, legível para quem quiser ler. Como o desejo é desembarcar em Santiago do Chile, os pontos extremos da trip nascem prontos: Porto Alegre/Santiago. Ou melhor, com uma esticadinha a Valparaíso para curtir o Oceano Pacífico.

Assim, Guilherme e Moguinha partem de Porto Alegre, capital dos gaúchos. De busão vão direto a Santiago, capital dos chilenos. Segundo o site do conselado do Chile, são aproximadamente 2.600 km de distância, passando por Uruguaiana, Santa Fé (Argentina), Rio Cuarto e Mendoza. Ao ultrapassar o túnel Caracoles, cruza-se os Andes e chega-se ao destino. A Pluma, empresa que nos transporta, promete nos entregar sãos e salvos em Santiago após 36 horas de viagem. Até Valparaíso são mais 150 km. Ida e volta dá 300.

Depois de Santiago, o próximo destino é a argentina Mendoza. São mais 360 km de estrada. De Mendoza a Buenos Aires, terra do superclássico entre Boca Juniors e River Plate, são mais 1.058 km. Aí abandona-se o busão temporariamente para usar a balsa e cruzar até Montevidéu, no Uruguai. Dali parte-se à Colônia do Sacramento. São 177 km para ir mais 177 para volta: 354 km. O próximo destino é Punta del Leste. São mais 270, 135 de ida e volta. De Montevidéu a Rivera cabe mais 501 km, e mais 465 km de Livramento a Santa Cruz. Existe a chance de ingressar no Brasil por Artigas, fronteira com Quaraí.

Como a alma de qualquer mochilão, este roteiro não é definitivo. Conforme a sanidade mental dos viajantes, as rotas podem sofrer alterações. Vamos ver até quando sobrevive este primeiro plano. Confira na fotinho o roteiro. Sorte aos mochileiros!


Buenas e me espalho!

Eai, tigrada! Abertos os trabalhos no Me fui pro Chile. Aqui eu, Guilherme Mazui, e minha meiga namorada, Moguinha, a mais destemida das namoradas, daremos um raio-x da trip pela Mercosul. A previsão dá conta de 18 dias de aventuras e peripécias, mas como todo mochilão, o roteiro e os dias nunca são fixos. Embarcamos dia 1º de janeiro, às 7 da manhã em Porto Alegre, rumo a Santiago do Chile. São 36 horas de busão. Dali arrancamos para Valparaíso, ainda no Chile, voltamos a Santiago, entramos na Argentina (Mendoza e Buenos Aires), Uruguai (Colônia, Montevidéu e Punta del Leste) e caímos no Brasil. Falta definir se por Livramento ou Quaraí. A brincadeira deve consumir mais ou menos 5.200 quilômetros. Aqui registro tudo o que acontecer nessa trip! Fiquem com a gente. Até quinta-feira, dia do embarque, dou as barbadas do pré-viagem. Na foto, os novos desbravadores da América do Sul: Guilherme Mazui e Moguinha.